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Quarta-feira, Abril 30, 2008
Acho que a idéia inicial está se formando, e é mais ou menos essa. A arte de confundir-se como tema principal, dando a impressão de ilusão ótica. O trabalho vem logo em seguida.
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Domingo, Abril 27, 2008
Virada cultural, deve ter muita gente falando. Não quero tirar o mérito do evento (que por sinal foi super proveitoso), mas algumas pessoas, que participaram como público, invertem o real sentido deste evento, que é um dos maiores em diversidade musical, teatral, corporal e cultural de uma forma geral á céu aberto. Louvável a atitude dos organizadores, das policias militar e civil, pois ainda não ouvi noticias sobre grandes incidentes. Mas só quem realmente andou pelas ruas do centro paulistano na noite de sábado para domingo, percebeu o grande desrespeito de algumas pessoas. Acho que para muitos isso é um tanto natural, divertir-se ao efeito de muita cocaína e regado a maconha, tanto que diversos grupos, em diversos ambientes, utilizavam destes artifícios para turbinar o estado de adrenalina corporal.
Ainda sou aquele tipo careta, que no máximo bebe com amigos, o suficiente para ter uma conversa engraçada e animada. O que passar disso, me dá sono. Acredito que o livre arbítrio permite à cada um que faça com o seu corpo o que achar melhor. Eu, por exemplo, como e bebo. Outros praticam esporte, e tem aqueles excedem em tudo. Não sou contra o consumo de qualquer coisa, mas acho que quem quer, o faça em locais reservados, apropriados. Estas atitudes expõem pessoas desinteressadas e desrespeita o espetáculo. Mas quero encerrar este assunto aqui, até porque a beleza foi maior que tudo.
A iluminação do centro mudou para melhor. Os prédios históricos tiveram luzes coloridas destacando a beleza arquitetônica noturna, que deu um charme a mais à esta metrópole que nunca dorme. Em quesito luzes, o meu destaque vai para o trio Theatro Municipal, Shopping Light e Sede da Prefeitura de São Paulo.
A música era apresentada nos muitos palcos em abundância. Todas as tribos eram atendidas nos inúmeros palcos. Desde clássica com ballet, até samba com capoeira. O palco da rua São João recebeu artistas do MPB, e confesso que os graves de Zé Ramalho marcaram a noite de quem presenciou. Moradores e turistas situados nos prédios vizinhos deram um show á parte.
Infelizmente no domingo trabalhei o dia todo e não pude curtir um pouco de D2, Cachorro Grande e principalmente a velha guarda do Rock, Ultrage a Rigor. Mas li em alguns lugares que o encerramento dos caras, ao lado do Lobão na bateria fez sucesso.
A cultura engrandece o cidadão. Isso é muito justo, pois a cada colherada de feijão que colocamos na boca, tem uma boa parte de impostos cedidos aos cofres públicos.
(Dono da Poltrona está muito pensativo, vocês não fazem idéia...)
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Sábado, Abril 19, 2008
Vamos todos esquecer que o vizinho tem fome e frio, enquanto o vizinho dele tem sede.
Que logo ao lado tem gente roubando e matando para consumir ou para sustentar (o que não muda o demérito)
E a criança, no sinal vermelho, vende bala. Enquanto deveria aprender primeiro ler.
Até que a habilidade do garoto nos pinos é louvável.
É sorridente e desdentado. Como é possível?
Talvez, com oportunidade seria um grande artista.
Mas é assim que ganha a vida, correndo o risco de não terminar o dia.
É tudo tão artístico que a desgraça se transforma em circo.
É tudo tão cômodo que a gente se esquece que a vida continua.
É tanta fantasia, que a realidade ninguém enxerga.
Quem se lembra do leite? Ninguém.
Quem se lembra de chorar pelo mendigo? Ninguém, porque o pai dele não é advogado.
Na verdade ele não tem pai,
nem mãe,
nem irmão,
nem mulher e muito menos filhos.
É tudo tão falso que às vezes tenho nojo por vivenciar tudo isso e não fazer nada.
Não querer fazer nada.
Não ter vontade de fazer nada, de ficar apenas no ócio, esperando alguém fazer e depois outro alguém noticiar.
Virou cômodo querer a justiça e achar o filme na TV triste. Mas o filme acontece logo ali na rua, com o vizinho, com o vizinho dele... estes gritos o vizinho não ouve, o vizinho não sente o cheiro.
Sobe o vidro do carro
Atravessa a rua
Não olha no olho
(Dono da Poltrona... Poetizar a desgraça é tão simples quanto trocar de canal ou ler um livro. Preciso ler...)
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Domingo, Abril 13, 2008
Enquanto isso...
Foi noite para ser lembrada na história de uma amizade, marcada pela dança, pela bebida e completa por todas as gargalhadas. Mas o que realmente foi importante não eram os fatos, mas sim, os sentimentos que motivaram todos eles. Já no ônibus, e refletindo os acontecimentos, vim pensando na melhor forma de transcrever estas palavras. O nascer do sol foi fator fundamental de inspiração destas palavras. É daqueles que começam em um tom de roxo, com o passar dos minutos vai ganhando uma tonalidade azul piscina com as nuvens em manchas de laranja. Imagem que talvez nem com câmera fotográfica registrasse tamanha beleza. Sem dúvidas, o sol e seus significados individuais ao ser humano são invejados pelos deuses. Afirmo isso porque começo a acreditar na premissa de Achiles, quando diz que os deuses invejam os homens, por eles possuírem o dom de morrer e isso faz com que nós, pobres mortais, vivamos a cada minuto intensamente, marcando com detalhes e emoção os retratos da existência humana.
É o banho que relaxa após o esgotamento, são os prazeres e o poder de escolher o certo e o errado. Sem sombra de dúvidas, esta amizade não foi escolhida por um ou por outro, mas sim foi traçada pelos dois em outro espaço temporal.
É como diria Garrido em uma de suas belas interpretações “...é tão forte que não quebra, nem entorta. Podes crer, eu to falando de amizade...”
(Dono da Poltrona, e ainda assim, com tudo isso, você não saiu dos meus pensamentos... Chega logo!)
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Pedaços de palavras
Restos de sentimentos
Retalhos de pensamentos
A mistura da sobra
destes ingredientes
é o resultado das
palavras aqui expressas.
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Poltrona Velha
Agradeço a sua ajuda.
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